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O impacto da pandemia na relação com os stakeholders. O que mudou?
Autor:
Gabriel Rodrigues Martins
Autor:
Mariana dos Santos
Autor:
Rafael Ribeiro
Publicado:
12/1/2021 9:56
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profissional de Relações Governamentais é aquele que atua como ponte entre a organização, o poder público e diversos outros stakeholders, que tenham poder de decisão e que sejam relevantes para o seu respectivo mercado de atuação.  Nessa atuação, ele identifica stakeholders, realiza análises políticas, jurídicas e regulatórias, atua na elaboração de estudos, avaliação de impactos de políticas públicas, planejamento estratégico e na interlocução e atuação frente a autoridades e instituições públicas. 

As Relações Governamentais possuem um papel estratégico que demanda minucioso (e até mesmo custoso) acompanhamento de temas de interesse e stakeholders, bem como atuação frente a situações em diferentes níveis federativos que podem afetar o cenário político e econômico. Dada a importância de cada passo do profissional da área, o custo de todo o acompanhamento é justificadamente elevado.


Relações com Stakeholders nos tempos atuais

No ano de 2020 o cenário mudou para as pessoas como um todo por ocasião da pandemia causada pelo novo coronavírus. Medidas tiveram de ser tomadas para diminuir a propagação do vírus e atividades que antes eram desempenhadas presencialmente foram substituídas por encontros remotos. Isto não foi diferente para os profissionais de relações governamentais. O contato cara a cara com os stakeholders foi substituído por reuniões on-line, a interação com os interessados ficou mais complexa e foi necessária a reinvenção do modo de trabalhar as relações institucionais.

A busca por boas relações profissionais com os stakeholders é um dos principais pontos do trabalho de relações governamentais, justamente pelo fato de que, tendo contato contínuo com estes indivíduos estratégicos para o desenvolvimento do projeto, é possível estabelecer melhores caminhos para se atingir os objetivos dos interessados no trabalho e, muitas vezes, o contato é feito por meios de comunicação (remotamente) e não de forma direta.

O contato presencial é fundamental para a boa realização de um trabalho de relações governamentais, isto devido ao fato de que, para atingir os seus objetivos, este profissional precisa não só mapear os stakeholders, mas como também entrar em contato com ele e estabelecer uma conexão. Muitas decisões são tomadas e afinidades são criadas por conta de ações muito sutis, como um aperto de mão firme ou a confiança demonstrada pelo gestual do corpo. Este tipo de comunicação fica mais difícil nos tempos atuais, em que a interação é realizada tendo uma tela como obstáculo.

Apesar de existirem muitos pontos contra em relação ao contato remoto com os stakeholders, também existem pontos positivos, isto devido ao fato de que, muitas vezes, é custoso encontrar todos os grupos de interesse, pois, em alguns trabalhos, eles estão situados em outros estados ou municípios e o deslocamento dos profissionais de relações governamentais até lá para fazerem contato pessoal torna inviável o projeto. Em vez de incorrer nestes custos, o atual período mostrou que é possível se conectar com os principais stakeholders remotamente, poupando deslocamento, tempo e desgaste de todos.



O futuro das relações com stakeholders

Os desafios atuais e do pós-pandemia são, definitivamente, a incerteza sobre quanto tempo vai durar e sobre como ficarão as relações com o fim da pandemia. Mesmo com a promessa da vacina, as relações podem ser permanentemente afetadas pelas condições que foram impostas para a continuação do trabalho. Uma transformação no ambiente de trabalho e uma desnecessidade de presença física já se tornaram mais presentes no dia-a-dia. 

O cenário de trabalho no Executivo, Judiciário e Legislativo gira em torno de troca de e-mails, utilização de aplicativos de mensagens e reuniões por videoconferência. Ou seja, as demandas não deixaram de ser endereçadas e o trabalho mais do que dobrou. Vimos Medidas Provisórias (MPs), por exemplo, serem publicadas numa sexta-feira à noite, algo incomum.

Acessar os stakeholders é uma atividade que demanda grande esforço mesmo antes da crise do Covid-19 e, atualmente, estar atualizado sobre as conversas de bastidores e os acontecimentos nos corredores do Congresso Nacional tornou-se quase impossível. Com a implementação do Sistema de Deliberação Remota encontrou-se ainda mais dificuldade para acompanhar as tramitações, debates e votações. O grande volume de produção legislativa e o aumento da velocidade de tramitação sobrecarregou profissionais que precisaram rever e gerenciar a forma de trabalhar. 

Esse cenário, que ainda deve perdurar por algum tempo, exige que profissionais de Relações Institucionais e Governamentais adotem outras estratégias para analisar, articular e monitorar os tomadores de decisão e os grupos de interesse.  

Outro ponto importante e que gerou grande dificuldade aos profissionais de Relações Governamentais é a mudança de foco do trabalho. O acompanhamento e monitoramento do Poder Executivo, principalmente em Estados e Municípios, tornaram-se mais relevantes. Todas essas mudanças trazidas pela pandemia do novo coronavírus foram fatores que influenciaram no aprimoramento e na maior demanda por soluções, especialistas e empresas de consultoria para desenvolverem estudos nessas áreas pouco exploradas anteriormente.  

A pandemia impulsionou a evolução digital e eficiência em muitos setores e isso é um ganho para o desenvolvimento socioeconômico do país. Todo esse cenário demonstrou que mesmo de casa as atividades profissionais continuaram sendo desempenhadas com a mesma eficiência e eficácia do ambiente físico empresarial, claro que com alguns desafios que ainda precisam ser superados. 

O trabalho remoto advindo da pandemia mostrou que as reuniões virtuais são eficazes e os custos financeiros são menores. Encontros para tratar de assuntos internos e de fácil diálogo serão permanentes pós-pandemia. Entretanto, quando se trata de assuntos estratégicos, temas mais complexos que precisam de interlocução com vários atores, maior tempo de debate, envolvimento profundo do stakeholder na discussão, celeridade e impacto de decisão, é fundamental o contato presencial. A falta de contato com os tomadores de decisão tem feito falta e a distância às vezes dificulta a articulação. Quando os assuntos são tratados presencialmente, consegue-se colher muitas impressões na linguagem corporal, no tom de voz, na maneira como a pessoa fala. Virtualmente, essas expressões são difíceis de serem analisadas. 

Diante disso, a pandemia revelou a importância que os profissionais de relações governamentais têm na intermediação de decisões importantes tanto para o cenário empresarial, quanto para a sociedade em geral. Traduzir o ambiente externo em tempo de crise e analisar os riscos nos negócios em curto prazo tornaram-se fundamentais no momento. Além disso, o coronavírus transformou o jeito de fazer comunicação, relações públicas e governamentais. Essas mudanças ocorridas são condições que, a priori, vieram para ficar, e a solidificação desse tipo de relação exige das corporações o investimento na preparação de profissionais capacitados para o ambiente virtual.

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Stakeholder
RIG
Risco Político e Regulatório

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