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Stakeholders, lobby e redes sociais: novas dinâmicas digitais
Autor:
Nayara Cortez
Relações Institucionais e Comunicação Sigalei
Publicado:
10/6/2021 12:30
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ua organização já se preparou para as novas dinâmicas que tornam ainda mais complexo o entendimento do cenário político e identificação de impactos para empresas e associações? 

  • Você consegue identificar rapidamente quem são os principais stakeholders e quais assuntos eles influenciam? 
  • Sua estratégia de relações governamentais está pronta para se adequar a estas novidades?

Neste artigo trouxemos alguns exemplos das mudanças que estão ocorrendo na forma de se fazer lobby e relacionar com stakeholders, considerando, principalmente, as redes sociais como uma nova ferramenta para interagir com stakeholders e analisar o cenário político que impacta setores econômicos e sociais.

Lobby no século XXI

O uso de ferramentas tecnológicas e do meio digital para facilitar as interações, participação do debate público e influência da tomada de decisão se intensificou nos últimos anos. O lobby está se adaptando e passando a integrar estratégias online e offline. 

O relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), "Lobbying in the 21st Century"[1], alerta para o aumento da complexidade das atividades de defesa de interesse (lobby) diante da intensificação do uso de tecnologias digitais e redes sociais.

De acordo com o relatório, houve uma diversificação dos mecanismos e canais de influência do lobby e as mídias sociais têm sido utilizadas no contexto político para moldar o debate de políticas públicas, pressionar e influenciar indiretamente o processo de tomada de decisão do governo, informar, desinformar e até mesmo alterar a percepção do público sobre determinadas temáticas.

Diante deste cenário, a OCDE ressalta a complexidade que o ambiente digital traz para as dinâmicas de relações governamentais e a necessidade de investir na transparência para utilização desses novos formatos de fazer lobby e advocacy. 

Pandemia impulsiona mudanças nas relações governamentais e engajamento de stakeholders 

As estratégias de relações institucionais e governamentais foram bastante impactadas pelo cenário da pandemia de Covid-19: novos temas emergiram no cenário político (principalmente os relacionados com saúde e medidas de prevenção ao contágio), reuniões presenciais em Brasília deixaram de fazer parte da rotina do lobista, os debates legislativos passaram a acontecer online (com a implementação dos Sistemas de Deliberação Remota - SDR), as interações com stakeholders passaram a incluir os meios digitais.

As alterações e desafios que toda sociedade se viu enfrentando durante a pandemia tornaram as atividades de lobby ainda mais relevantes para alinhar as expectativas entre grupos de interesse e governo. 

A defesa de interesses e articulação entre diversos stakeholders, sentados na mesma mesa para o debate de problemas e soluções junto com o poder público foi muito importante, por exemplo, nos momentos de definir as atividades essenciais que continuaram funcionando durante o fechamento de indústrias e comércios para prevenir a disseminação do vírus e, ao mesmo tempo, atender as demandas sociais e manter as atividades econômicas sem incorrer em grandes prejuízos financeiros, de desenvolvimento e riscos à saúde da população. 

Tecnologia e Redes Sociais como ferramentas de lobby?

O ambiente digital passou a ser um espaço com cada vez mais presença política: atores importantes do processo decisório se posicionam em seus perfis nas redes sociais; causas sociais e ambientais geram grandes movimentos online que impulsionam pronunciamentos de autoridades e organizações nas redes; celebridades e empresas apoiam movimentos a favor ou contrários a projetos de lei. 

As redes sociais emergem como uma ferramenta de lobby e como um novo meio para monitorar e atuar no cenário político. E, assim, as estratégias de relações institucionais e governamentais ficam mais complexas: temas políticos, stakeholders, lobby e redes sociais passam a coexistir no planejamento e ações do lobista. 

Será o declínio do lobby tradicional e crescimento do lobby digital? 

Os profissionais que atuam na interlocução com governos entendem que a defesa de interesses está sendo cada vez mais realizada no ambiente digital e os métodos tradicionais de relacionamento e negociação presenciais estão em declínio. 

De acordo com a pesquisa “The pandemic and public affairs: one year later”[2] realizada em 2021 com mais de 150 profissionais de relações governamentais pelo Public Affairs Council (PAC), 54% dos profissionais da área acreditam no aumento das estratégias de defesa digital e apenas 27% pensam o contrário, ou seja, que não haverá aumento do lobby digital e os métodos tradicionais não serão menos utilizados. 

Ainda é cedo para afirmar que o formato de atuação digital substituirá as ações realizadas presencialmente - que sempre foram tão importantes para criar conexões e estreitar relacionamentos relevantes para negociações e defesa de interesse com o poder público. Mas, é verdade que o cenário digital complementa as atuações tradicionais de lobby, pois, cada dia mais se reforça a importância de ter uma visão geral dos impactos que sua organização gera para a sociedade e entender os mais diversos stakeholders que se interessam e influenciam ações que podem afetar seu negócio. 

O cidadão conectado passa a ser um stakeholder bastante ativo reforçando pautas que antes se restringiam a ser discutidas apenas no ambiente legislativo. Exemplo disso foi a recente campanha nas redes sociais contra o PL 504, em tramitação na Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP), que pretendia proibir pessoas LGBTQIA+ em propagandas infantis. Diante do entendimento de que propagandas com casais e famílias homoafetivas não são prejudiciais para a formação infantil, pessoas e empresas compartilharam posicionamentos contrários ao PL utilizando hashtags como #AbaixoPL504 e #LGBTNãoéMáInfluência nas redes sociais. O resultado desta manifestação coletiva online foi a aprovação de uma emenda que retirou do texto o conteúdo anti LGBTQIA+. 

Para que as organizações compreendam o atual cenário político devem considerar todos os espaços e meios onde os debates ocorrem, além de, enxergar os atores que influenciam e puxam temas e assuntos que podem impactar negócios, setores econômicos e comunidades. 

É essencial que empresas, associações, sindicatos, ONGs e consultorias estejam atentas para as complexidades dessas novas dinâmicas que afetam o dia-a-dia da defesa de interesse, da gestão de risco político e regulatório e da identificação de riscos e oportunidades que surgem no cenário político. 

Para essas novas dinâmicas a Sigalei tem soluções que simplificam e tornam rápido o monitoramento e entendimento geral do cenário político para instituições, unificando o acompanhamento do legislativo, executivo e de stakeholders nas redes sociais.

Caso queira saber mais como a Sigalei te ajuda a ter uma visão rápida, clara e geral dos temas e stakeholders que impactam sua organização, agende aqui uma demonstração da plataforma.
Tags
stakeholders
Gestão de Risco Político
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